O Teatro de Brecht se contextualizou em um formato
dialético, permeado pela junção da poética com a política. Brecht abordou a dissolução da aparência do
natural e da imutabilidade a partir do choque em sua construção de linguagem
cênica, a qual remontava a diversas conjunturas históricas, sociais e
econômicas. Sob esse ponto de vista, emerge o famigerado conceito denominado
"distanciamento crítico", cujo cargo é o de apontar e refletir
possibilidades de modificação do indivíduo, e por meio deste, da sociedade.
Isso se baseia na ausência de um contato psicológico e catártico entre o ator e
a personagem, assim como entre o público e a peça que está sendo apresentada.
Dessa maneira, o espectador adquire um posicionamento de conduta crítica e
concreta, que será aplicado e refletido didaticamente.
A dramaturgia de Brecht possui a ação de induzir o
espectador a refletir racionalmente o contexto em que se encontra inserido.
"O teatro tem de se comprometer com a realidade, porque só assim lhe será
possível e lhe será lícito produzir imagens eficazes da realidade."(BRECHT,
B.). Assim, seu teatro assume a competência de impulsionar um diálogo produtivo
e provocador com o público, impelindo o espectador a manter-se em um exercício
intelectual ativo. A figura do narrador na dramaturgia de Brecht então se faz
presente, haja vista que este relata os acontecimentos e propicia o contato
mais direto com o espectador por intermédio da quebra da quarta parede, outra
forte característica do autor. Seu viés de denúncia e de mudança se edifica no
intuito de revelar a realidade e suas verdades, como diz o autor, postura que
se encontra na prática narrativa. Há, portanto, aqui uma matiz do Teatro Épico,
o qual possui como pilares relatos contados em unidades de ação em um drama.
Brecht possui esse registro em suas obras, desprovidas de um enredo emocional e
psíquico que envolve a personagem ou que segue uma pragmática linear. O foco,
em Brecht, é o de despertar um ser social.
Sob essa perspectiva, a problemática entre classes é,
indubitavelmente, uma das questões mais abordadas por Bertold Brecht. De acordo
com ele, os menos favorecidos deveriam distinguir situações de engodo efetuadas
pelos favorecidos, caso o contrário, permaneceriam em posição de
subalternidade. O autor se rebela no que tange às normas estabelecidas que
beneficiam uma parcela mínima da população e que subjugam cruelmente uma massa
de valor significativo, abordando a
temática, principalmente, em uma conjuntura urbana. Destarte, os desfavorecidos
deveriam tomar a consciência de sua identidade, não de maneira destrutiva, mas
de forma a engendrar uma articulação conjunta. Brecht, já conciso dessa linha
de pensamento, se debruça em estudos da mecânica capitalista até que se depara
com os escritos de Marx. O teatrólogo enxerga nos conceitos marxistas
instrumentos de forte reverberação para recrudescer seu trabalho.

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