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O Distanciamento

O distanciamento, também chamado de estranhamento, é um dos maiores princípios do teatro épico de Bertold Brecht. No teatro épico a presença do narrador é firme, ele participa da história em diversos níveis, tem a percepção de tudo que acontece e o poder do distanciamento na hora dos espetáculos. O narrador funciona como uma ponte para o distanciamento acontecer entre a representação da história e o espectador. Sendo assim, o ator épico narra seu papel mantendo uma relação de separação entre ele e seu personagem.

Para obter entendimento sobre essa teoria devemos saber que para distanciar é preciso estar próximo e a didática de estar próximo é ensinada no método de Stanislavsky, que consiste em conquistar o público e tornar tudo mais lúdico, fazendo a plateia acreditar em um faz de contas e se envolver emocionalmente com a apresentação. Brecht era contra essa didática pelo fato de hipnotizar o público, deixá-lo num estado de transe e abafar o real sentido de confronto que as peças deveriam trazer. Em um de seus livros ele comenta:

“Olhando em torno descobrimos corpos mais ou menos imóveis num estado curiosíssimo – parecem estar contraindo seus músculos com enorme esforço físico, ou então estar relaxando após uma tensão violenta... seus olhos, abertos, não veem; estão esgazeados...encaram o palco como se estivessem enfeitiçados, o que é uma expressão que nos vem da Idade Média, de uma idade de feiticeiras e de obscurantismo...” (Brecht, “Kleines Organon fuer das Theater”, (1948), par. 26, Versuche 12, p. 119.)

O ator narrador tem o papel de manter a plateia lúcida ao narrar os fatos. É possível visualizar e saber o rumo que a história vai levar, entender como tudo aconteceu e constatar que não foi consequência de uma intervenção divina o desfecho da obra.

“Em nenhum momento (o ator) deve entregar-se a uma completa metamorfose. Uma crítica do gênero: ‘Ele não representava Lear, ele era Lear’, seria para ele a pior das acusações. Ele deve contentar-se em mostrar sua personagem, ou, mais exatamente, não se contentar em vivê-la; o que não implica que permaneça frio enquanto interpreta personagens apaixonados. Apenas, seus próprios sentimentos nunca deverão confundir-se automaticamente com os de sua personagem, de forma que o público, por seu turno, não os adote automaticamente. O público deve desfrutar nesse ponto a mais completa liberdade. ” (Bertold BRECHT, Petit organon pour le théâtre, in Écrits sur le théâtre, Paris, L’Arche, 1963, p. 192)

Brecht considerava o teatro como um dos instrumentos da revolução e por isso se o ator for confundido com sua personagem, manteria o estado lúdico e atrapalharia o início de uma consciência revolucionária que o espectador obteria. A teoria brechtiana foi de tamanha importância para o teatro num todo porque estimulou o ator a empenhar-se a desenvolver um juízo crítico no público.






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Referências Bibliográficas

 BIBLIOGRAFIAS PRIMÁRIAS  (Em Português) BRECHT, B. Estudos sobre teatro. ed. Nova Fronteira, 1978. BRECHT, B. Teatro dialético . Rio de Janeiro, ed. Civilização Brasileira, 1967. BRECHT, B. Diário de trabalho . 2 vols. ed. Rocco, 2002. BRECHT, B. Diário de trabalho 1 vol. ed Rocco, 2002. BRECHT, B. Estudos sobre o teatro: para uma arte dramática não aristotélica. Lisboa, ed. Portugália , s.d. BRECHT, B. Estudos sobre o Teatro . Lisboa, ed. Portugália, s.d BRECHT, B. Teatro Completo (12 Volumes) . Rio de Janeiro, ed. Paz e Terra,1991 BRECHT, B. Poemas 1913-1956 . São Paulo, ed.34, 2000. BRECHT, B. Diários de Brecht . Porto Alegre, ed, L&PM, 1995.  BIOGRAFIAS SECUNDARIAS BOSSMANN, Reinaldo. O teatro épico de Brecht. Curitiba, 1975. MONIZ, Edmundo.  Bertold Brecht -  Uma breve biografia . ( http://www.culturabrasil.org/brecht_biografia.htm ) KONDER, Leandro. A poesia de Brecht e a história. Instituto de Estudos Avanç...

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