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Mostrando postagens de maio, 2017

Pequeno Organon Para O Teatro

O “Pequeno Organon Para O Teatro”, de Bertolt Brecht, foi o último texto teórico escrito pelo autor, sendo escrito em 1948 e tendo o título com derivações de duas obras filosóficas anteriores: o Organon, de Aristóteles, e o Novvum organon, de Francis Bacon. Tal texto possui uma carga revolucionária grandiosa, pois Brecht utiliza-o para defender uma nova ideia de fazer teatro. Tal ideia se origina a partir da crítica ao teatro aristotélico, teatro esse que utiliza da catarse para atingir o público e prendê-lo numa posição passiva, onde o mesmo se dá por satisfeito apenas observando o que acontece em cena, não trazendo para a vida cotidiana mudanças, uma vez que todos esses sentimentos foram expurgados enquanto estavam sentados em uma cadeira de teatro. Historicamente, a burguesia entendeu como essa técnica funcionava e a utilizou a seu favor, massificando assim as pessoas e tirando qualquer desejo de mudança ou de revolução através da lavagem cerebral que acontecia por meio da ...

O Distanciamento

O distanciamento, também chamado de estranhamento, é um dos maiores princípios do teatro épico de Bertold Brecht. No teatro épico a presença do narrador é firme, ele participa da história em diversos níveis, tem a percepção de tudo que acontece e o poder do distanciamento na hora dos espetáculos. O narrador funciona como uma ponte para o distanciamento acontecer entre a representação da história e o espectador. Sendo assim, o ator épico narra seu papel mantendo uma relação de separação entre ele e seu personagem. Para obter entendimento sobre essa teoria devemos saber que para distanciar é preciso estar próximo e a didática de estar próximo é ensinada no método de Stanislavsky, que consiste em conquistar o público e tornar tudo mais lúdico, fazendo a plateia acreditar em um faz de contas e se envolver emocionalmente com a apresentação. Brecht era contra essa didática pelo fato de hipnotizar o público, deixá-lo num estado de transe e abafar o real sentido de confronto que as peças de...

Brecht e a Ópera

A musicalidade em Brecht, em seus processos criativos e colaborativos, é extremamente presente. Dessa forma, a música em cena desempenha  em seus processos uma ferramenta inexorável  que engrena a dramaturgia brechtiana. "A música serve como um pilar tão central em tantos de seus constructos teóricos e como um parâmetro tão determinante para a forma, dicção e maneira de apresentar seus textos que o legado de Brecht não pode ser completamente compreendido ou propriamente acessado sem referência à música." (Kowalke, 2006: 242). É de extrema importância ressaltar que os expoentes musicais efetivos nas produções de Bertolt Brecht foram erigidos mediante à experimentações e parcerias, como a de Kurt Weill e de Hanns Eisler. A partir disso, podemos adentrar as conjunturas, composições e estruturas da ópera perscrutada pelo artista alemão. Ao redirecionar a música para um papel elementar da dramaturgia, em contraposição ao teatro realista, o qual utilizava sonoridades de ambie...